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Pint of Science Campinas: de mudanças climáticas a pinguins

O Galoá esteve presente no primeiro dia do Pint of Science 2017 Campinas, que começou com o bate papo sobre mudança climática global, o aumento do nível do mar e a experiência de um dos pesquisadores brasileiros na Antártica.

O debate rolou solto e conseguiu encher o Alzirão Itapura de curiosos sobre o tema, deixando de ser uma simples palestra (que vemos sempre nas faculdades) para uma conversa descontraída e interdisciplinar com comes e bebes nas mesas, conforme propõe o festival internacional de origem inglesa e que já se expandiu este ano para 11 países diferentes.

Vale ressaltar que a “mudança climática global” foi apenas um dos temas abordados no primeiro dia da edição do Pint 2017 em Campinas, na qual abriga diferentes debates entre o dia 15 e 17 de maio em mais quatro bares simultâneamente (Alzirão, Echos, Lado B e Yoou Geek).

Voltando para a conversa do Alzirão, tudo começou com uma breve apresentação de truques de mágica para entreter os participantes e a introdução de Rafael Soares, sócio da NuminaLabs que organizou o evento em Campinas, indagando por quê temos o costume de discutir quase de tudo em um bar, mas dificilmente de ciência, pauta importante por estar em tudo o que fazemos no nosso dia a dia, logo depois ele apresentou os convidados.

O diálogo foi dividido em dois blocos com um breve intervalo entre eles, sendo que o primeiro a conduzir o público foi Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e professor do Instituto de Física da Universidade Estadual de Campinas (IFGW - Unicamp).

O físico abriu espaço para recordarmos, bem didaticamente, de alguns conceitos do ensino fundamental e médio para explicar a liberação de gases de efeito estufa, na qual a maioria dos cientistas no mundo acreditam que influenciam na a mudança climática global.

Entre as principais ações de liberação desses gases, como o carbônico, está a produção de energia (como uso de petróleo, carvão, entre outros), as queimadas de florestas e também a agricultura. A agricultura contribui com o efeito estufa pois libera metano, dióxido de carbono, monóxido de carbono e óxido nitroso em atividades como o cultivo de arroz por inundação, dejetos animais e queimas de resíduos, por exemplo.

Tanto a energia quanto a agropecuária são importantes para a humanidade, portanto diversos pesquisadores de áreas diferentes buscam alternativas para melhorar esses processos e poluir menos o planeta com esses gases, esclarece o convidado.

Brito Cruz finalizou sua participação explicando um gráfico de Earth System Research Laboratory que ilustra o aumento de gás carbônico na atmosfera nos últimos séculos, sendo que atualmente atingimos um pico de excesso nunca antes alcançado, comprovado com os picos de excesso de tempos anteriores da Terra, conforme  o vídeo a seguir:

 

 

Após o intervalo, o bate papo seguiu com mediação de Gabriel Monteiro, biólogo com mestrado em Oceanografia e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Antártico de Pesquisas Ambientais (INCT-APA), que além de retomar outros conceitos físicos para explicar “de onde vem a água que está ‘fazendo o mar subir’?” também relatou sua experiência nas cinco viagens a pesquisa para a Antártica; ele, inclusive, teve a oportunidade de coletar os dados de sua dissertação de mestrado em terras geladas, com registro de fotos fascinantes que tirou no local.

A conversa desenrolou com muitas curiosidades do público sobre sua vivência como: o trajeto até a Antártica, a alimentação que é feita com consumo de enlatados, local de pesquisa e até mesmo sobre os animais que ali vivem, como os pinguins, que relata terem o cheiro bem forte.

 

Você sabe explicar o que pesquisa para a sua mãe?

Gabriel Monteiro também é co-fundador da Ciência Pública (uma jovem agência de comunicação científica) e especialista em jornalismo científico pelo Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp (Labjor). Ele explicou que um dos motivos que o fez seguir esse caminho foi sua preocupação para que mais pessoas conhecessem as pesquisas científicas para entenderem sua importância.

O biólogo até brincou com os pesquisadores presentes no local se eles conseguiam explicar sobre a relevância de seus estudos para seus familiares, sendo uma boa estratégia para começar a praticar a divulgação científica nas conversas diárias.

Instigado pela proposta, Monteiro e sua agência participaram de um projeto de pesquisa antártica do Ministério do Meio Ambiente e produziram uma exposição fotográfica sobre a pesquisa brasileira na antártica que itinerou durante quatro meses pelas estações de metrô de São Paulo, com uma linguagem não técnica e acessível a um público mais amplo.

Confira um pouco sobre a conversa na transmissão ao vivo (curtinha) que fizemos ontem no Alzirão com Gabriel Monteiro:

 

 

Para se aprofundar mais sobre os debates, acesse a página Estação Antártica que contém as fotos do projeto com explicações e um álbum com as áudio descrições dessas mesmas imagens.

O Pint of Science continua rolando em 22 municípios brasileiros, inclusive em Campinas (confira o evento campineiro no Facebook).

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