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O Brasil receberá o próximo simpósio internacional sobre produção de plantas micropropagadas da ISHS

Produtores de mudas e pesquisadores de cultivo in vitro, fiquem atentos porque o Brasil receberá, entre os dias 24 a 28 de abril de 2017, o principal seminário internacional sobre plantas micropropagadas, organizado pela Internacional Society for Horticultural Science (ISHS).

Após vencer candidaturas da Rússia, Polônia e Turquia, a Universidade Federal de Lavras (UFLA), em Minas Gerais, será o palco para o evento que reúne 300 pesquisadores e profissionais que atuam ou podem atuar com plantas micropropagadas de todo o mundo.

Diogo Pedrosa, pós-doutor em micropropagação na UFLA e um dos organizadores do evento, comemora a conquista de receber o 7th International Symposium on Production and Establishment of Micropropagated Plants (PEMP), sendo um reconhecimento da importância da universidade nessa linha de pesquisa.

“Pouquíssimos eventos da ISHS ocorrem no Brasil. Apesar de ser uma sociedade internacional, ela acaba ficando muito restrita à Europa. Trazer um evento como esse da ISHS foi um marco para a nossa universidade e para a nossa área de pesquisa no país.”, enfatiza Diogo Pedrosa, UFLA.

Para se ter ideia em números, a ISHS é a principal sociedade de horticultura do mundo com cerca de 53 mil pessoas, sendo 7 mil membros ativos. Durante os últimos 50 anos a associação organizou aproximadamente 1100 eventos científicos relacionados à horticultura, desses apenas 53 foram realizados na América do Sul. Se o filtro se restringir somente ao Brasil, o número é de 18 eventos.

Outra curiosidade é que 2017 será o primeiro ano que algum país do hemisfério sul receberá o PEMP. O evento não tem periodicidade definida, mas as últimas edições ocorreram bianualmente e em sua última edição de 2015, realizada em San Remo na Itália, o simpósio teve seu nome atualizado; antes o PEMP era conhecido como International Symposium on Acclimatization and Establishment of Micropropagated Plants.

Pedrosa explica que apenas o nome mudou, mas o foco continua sendo sobre plantas micropropagadas, que é produção de mudas em larga escala dentro do laboratório, ao invés de diretamente no solo:

“A propagação é para produzir uma maior quantidade de plantas em um pequeno espaço e em um tempo curto. Assim, conseguimos propagar uma quantidade de plantas de altíssima qualidade, sem doenças e sem nenhum tipo de pragas. Hoje, já são produzidas mudas micropropagadas em laboratório de quase 100% da produção de banana no Brasil e temos mudas de morangos, de cana de açúcar, de batata… Ou seja, já produzimos mudas in vitro, em tubo de ensaio, aqui no Brasil.”, comenta Diogo Pedrosa, UFLA.

No entanto, mesmo com essa experiência brasileira o pesquisador faz ressalvas ao comparar com mercados de outros países em que as produções são maiores. Apesar da situação estar mudando, um dos motivos para a técnica não ser tão aproveitada no Brasil é o alto investimento inicial que ofusca o retorno financeiro e de qualidade das plantas.

Para ajudar a quebrar um pouco essa imagem e demonstrar que o país se destaca nessa linha de pesquisa, Pedrosa comenta que o diferencial do evento é unir as últimas pesquisas com as realidades de mercado, sendo que tradicionalmente os eventos da ISHS são divididos pela parte científica e também por visitas técnicas.

“Buscamos sempre reunir pesquisadores e produtores agrícolas nos eventos da ISHS. Isso porque não focamos só na parte experimental e laboratorial dos assuntos, mas também trabalhamos para trazer uma visão de mercado com as empresas, no caso do PEMP de propagação e biofábricas nacionais e internacionais.”, ressalta Diogo Pedrosa, UFLA, sobre os diferenciais do PEMP.

Entre as empresas privadas já previstas para essas visitas, a organização adiantou os nomes das Multiplanta Tecnologia Vegetal, em Andradas-MG, que produz mudas micropropagadas de banana, morango e batata-semente e da Biocell de Sete Lagoas-MG, onde se produz mudas de banana micropropagadas. Os participantes também poderão visitar uma fazenda modelo de produção e beneficiamento de cafés especiais exportados.

Sobre os palestrantes, Pedrosa destaca as experiências de renomados pesquisadores da área, como Adel Abul-Saud que pesquisa palmeiras micropropagadas na egípcia Horticulture Research Institute, Bart Panis envolvido na preservação de plantas na Bioversity International da Bélgica e Pablo Jourdan que pesquisa plantas ornamentais na Ohio State University:

“O interessante do trabalho do Pablo Jourdan, por exemplo, é que nos EUA são pouquíssimas as plantas nativas devido à temperatura. Poucas têm flores bonitas, então ele vai a campo e observa quais plantas podem ser comercializadas e as transpassa para o laboratório para micropropagar.”, explica Diogo Pedrosa, UFLA, sobre as experiências dos convidados.

Os outros palestrantes já confirmados (ou que serão) estão em Keynote Speakers no site do evento. Caso queira submeter uma pesquisa para apresentação, não perca tempo! O prazo para submissão dos resumos se encerrará no dia 31 de outubro de 2016, (anote as datas chave do evento aqui). As inscrições como ouvinte podem ser realizadas durante o PEMP, sendo possível se registrar apenas para um dia do evento.

A organização também disponibiliza pacotes que se estendem a mais uma pessoa como acompanhante, que incluem passeios na região de Lavras, Minas Gerais, a serem divulgados. Confira as vantagens de cada pacote e outras informações no site oficial do PEMP Brazil.