Colunistas

Governar ou Desgovernar: Eis a Questão!

Desde 2015, vem-se arrastando uma grave crise no Estado do Rio de Janeiro. Um pouco mais agravada que o restante do país, a paisagem fluminense é de caos.

Fecham-se escolas e desativam-se leitos nos hospitais; cancelam-se contratos de serviços terceirizados jamais pagos ou precariamente pagos. Deixa-se na conta do se sabe lá quando, os décimos terceiros salários de 2016 e já metade de 2017. Deixa-se na conta do talvez os vencimentos e proventos do quadro permanente de ativos e inativos desse Estado caótico.

 

Pessoas protestando contra os atrassos de 13º Salário com uma faixa " SEM 13º SALÁRIO, SEM REVEILLON"

 

Segurança? Nem pensar! Hoje não se tem mais tranquilidade nem dentro de nossas casas. O exército do tráfico e o dos viciados tomaram conta das ruas e, se não tivermos sorte, entram em nossas casas.

Depois de trabalhar nos turnos tarde/noite desde a década de 1970 na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), fui obrigada pelas circunstâncias a pedir para mudar de turno por medo de sair da universidade após as 19h. O entorno da UERJ está insalubre, para dizer o mínimo! Viciados e flanelinhas cercam os carros na curva entre a São Francisco Xavier e a Radial Oeste e se salve quem puder!

Órgãos de fomento cobram produção da universidade, mas não se pagam as bolsas discentes, as bolsas dos técnicos (Proatec (Programa de Apoio Técnico), QualiTec, etc.) e, essas estão em processo de desastre, as bolsas do PROCIÊNCIA (Programa de Incentivo à Produção Científica, Técnica e Artística). Apesar de alguns tirarem de si para manterem laboratórios funcionando, esse funcionamento é para lá de precário. Falta tudo!

 

Pessoas protestando contra os atrasos e crise geral no Rio de Janeiro

 

Sem bolsas de permanência, sem bilhete único universitário e sem Bandejão ficou provado para a cidade carioca que estudar não é preciso! Ou, pior,  não é possível!

O caso especial de precariedade é da UERJ, em que um prédio com 12 andares e um trânsito diário de mais de 5.000 pessoas se dá ao luxo de funcionar com dois ou três elevadores (em rodízio). Quem não tem saúde ou preparo físico para “escalar” vinte e duas rampas tem de ficar na espera/ilusão de que melhores dias venham. E o (des)governo fluminense diz que dá atenção à terceira idade e aos portadores de necessidades especiais. Será que está pensando em bolsa funeral? Talvez fosse uma forma de se livrar do problema: promover a morte dessas pessoas.

 1) "Afinal, o que quer o Pezão?" 2) Jogar uma universidade pública no lixo

 

Enquanto isso, há na cidade do Rio de Janeiro uma grande preocupação com o Ensaio Técnico das Escolas de Samba, com o repasse de subsídios pela Prefeitura para essas agremiações, há uma nova preocupação com o destino das copas e jogos olímpicos, uma vez que o Rei Artur perdeu a espada.

E nós, aonde vamos, Senhor Pé Grande?

 

Charge do Pezão com um pezão esmagando uma pessoa

 

*Darcilia Simões é professora associada do Instituto de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), vice-presidente da Associação Internacional de Linguística do Português (AILP), coordenadora do Laboratório de Semiótica (LABSEM) e das Publicações Dialogarts. Lidera o GrPesq Semiótica, Leitura e Produção de Textos (SELEPROT)- Base CNPq. Suas pesquisas privilegiam o ensino da língua portuguesa, com foco principal na iconicidade e na linguística aplicada. Ela também é editora da revista Caderno Seminal que você pode acessar aqui. Contato: darcilia.simoes@pq.cnpq.br

 

Mais de Darcilia Simões